O Primeiro Design Residence de Fortaleza

O primeiro Design Residence de Fortaleza
por Aristarco Sobreira – Presidente da A&B Incorporações
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Fortaleza é hoje a quarta maior capital do Brasil. Esse dado não é apenas estatístico. Ele impõe responsabilidade a quem pensa e constrói a cidade, e exige um novo nível projetual, compatível com a maturidade urbana alcançada nas últimas décadas. Esse ponto de inflexão começa em um lugar que nem sempre ocupa o centro do debate imobiliário, a engenharia. Durante muito tempo, ela foi tratada como ciência de execução, calculando cargas e estruturas, enquanto o restante vinha depois, quando as decisões fundamentais já estavam tomadas. Esse modelo se esgotou. A engenharia do nosso tempo não parte do tijolo, parte do comportamento humano. Internamente, costumo dizer que estamos estudando mais antropologia do que cálculo estrutural. Antes de desenhar uma planta, é preciso compreender quem vai habitá-la, como vive e do que precisa, mesmo quando ainda não sabe nomear essa busca. Essa mudança altera tudo, da equipe que se reúne no início à sequência das decisões. A estrutura passa a servir à experiência, e o cálculo deixa de ser a primeira palavra para se tornar a viabilidade técnica de uma visão que já nasce integrada. Sob essa perspectiva, a engenharia é o que sustenta uma ideia de morar, e por isso pode ser também uma forma de arte. Quando essa ordem se transforma, o espaço deixa de ser receptáculo de móveis e passa a comunicar. A largura de uma circulação, a altura de um pé direito, a orientação de uma sala, o ponto em que a luz atravessa o ambiente, tudo isso participa da experiência de quem habita. Construir bem já não basta, é preciso construir com sentido, porque o metro quadrado isoladamente perdeu força como métrica de valor e o que importa é a qualidade do tempo vivido em cada metro construído. Dessa leitura nasce o conceito de Design Residence, não como rótulo de marketing, mas como modo de conceber a casa como obra integrada, em que arquitetura, interiores, mobiliário, luz, natureza e cidade compõem uma mesma linguagem. É isso que apresentamos com o Artse Meireles, primeiro empreendimento dessa categoria na capital cearense, projeto que reúne uma equipe que pensa junto desde o início, com assinatura arquitetônica do Architects Office, do arquiteto francês Greg Bousquet, paisagismo de Renata Tilli e projeto luminotécnico de Carlos Fortes, mesmo trio que assinou o nosso Origem Fortim, obra já entregue e reconhecida como melhor projeto arquitetônico pelo Prêmio Sinduscon CE, prova de que nossa forma de trabalhar não é promessa no papel, é prática consolidada. Cada decisão tomada no Artse Meireles, da fachada à organização interna das unidades, da entrada inspirada em lobbies de hotel à ausência de muros, responde à mesma pergunta, como esse edifício amplia a experiência de quem o habita e de quem se relaciona com ele na cidade. As pessoas buscam tempo de qualidade, silêncio e vínculo com o entorno, uma cidade que volte a respeitar a vida cotidiana. O luxo deixou de se medir pela ostentação e passou a se medir pela permanência e pela qualidade da experiência diária. Inovar custa. Quem se propõe a isso convive com a resistência que ela produz, mas inovação não é capricho, é escuta, é a tradução, em projeto, do que profissionais atentos identificam como sinal do tempo. Somos pioneiros dessa proposta em Fortaleza, e isso nos alegra e nos responsabiliza, porque Design Residence não é moda, é caminho, e o mercado já está nele. Resta a parte mais difícil, comunicar. Justamente por ser inovação, o conceito não se explica sozinho, é preciso contextualizar e tornar perceptível aquilo que ainda não pertence ao cotidiano comum. É isso que buscamos com o Artse Meireles, mostrar, no projeto e na vivência, um modo bem mais amplo e significativo de morar.
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